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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

VALE DO PATY - CHAPADA DIAMANTINA - JUL 2011 27_2011


Desde que estive a primeira vez na chapada Diamantina (janeiro 98) sempre gostei do lugar. Na verdade cada vez que vou e conheço novos lugares fico com vontade de voltar ainda mais uma vez. Na ultima vez (junho 2008) em Igatu fui com o guia Chiquinho até a rampa do Caim e tive uma vista do vale do Paty. Aquilo gravou na minha cabeça e fiquei ruminando que precisava voltar. AS vezes achava que não ia aguentar a caminhada etc, mas neste ano achei que não dava para adiar mais. Tive sorte pois consegui juntar Fenca e Margarete nesta empreitada. Então fomos em 3.

Saimos daqui de avião ate Salvador, de lá onibus até Lençois (6 horas e meia.... mas onibus muito bom - Real Expresso). Chegamos já quase meia noite.

Dia seguinte visitamos Lençois e entorno (meio que enrolando pra não forçar muito)- salão de areias, mirantes, cachoeira Primavera etc...

Almoçamos no Bode Grill (bom e pratico, preço adequado). A noite tapioca numa tapiocaria na rua Miguel Calmon (nasce em frente a Igreja Matriz), quase na esquina com rua das Pedras. É da mesma moça que tinha uma tapiocaria bem menor lá em frente ao mercado na esquina da rua das Pedras. Agora está aqui e a tapioca continua otima (Acho que Gil o nome dela)

NO sabado, já rumando pro ponto de partida da nossa caminhada, pegamos uma excursão (algo que sempre que posso evito - realmente não me dou bem com grupos visitando alguns lugares cheios de gente e sempre demorando muito mais que o necessário para ver cada lugar), mas enfim, fomos no poço do Diabo, depois mudamos prum carro menor, daí só nós 3 e fomos ver a gruta da Torrinha, que acho é de fato a mais interessante da região, com diferentes formações, amplos salões, pouca gente circulando etc. Já é a terceira vez que vou lá e sempre gosto.

Fim de tarde - não deu tempo de subir no Pai Inacio - fomos direto pra Palmeiras. Já na entrada encontramos o Rogerio Mucugê que ia ser nosso guia. A empatia já rolou de imediato. Isto é bom, afinal ainda tinhamos 5 dias de caminhada pela frente....

Nos hospedamos na pousada Caminhos da Chapada. Bem cuidada, simples e tranquila. Lanchamos por ali e dormimos tranquilos pois iamos acordar um pouco cedo no dia seguinte.

Saimos as 6 da matina com Jackson nos levando (agora em 4, incluindo Rogerio) rumo a Guiné

no caminho Jackson encontrou os filhos e demais integrantes da banda de forró que tinha ido tocar em Mucugê. Trocamos de carro, prum Toyota, bem melhor e mais rapido.

Tomamos café da manhã (muito bom e completo tambem) numa pousada e lanchonete em frente a praça de Guiné. Logo em seguida fomos de carro até o inicio da trilha - subida do Beco. Ventava muito, tempo encoberto, não tão frio e lá fomos nós (8 e meia da matina). Dali fomos subindo bem tranquilo um desnivel na faixa de 300 metros até chegar nas Gerais do Rio Preto. Campos de altitude, flores, pedras etc. Mais um pouco encontramos Sr Wilson, morador super tradicional do Paty, que estava indo pra Guiné (faz o percurso em 2,5 horas - digo que fariamos em 4 horas algo assim; ele tem 65 anos algo assim....). Mais um pouco nos alcançou e nos passou o grupo que ia ser nosso companheiro por todo o percurso (Flavia e Julio de BH com o guia Luis Basilio de Mucugê). O pique deles sempre melhor que o nosso mas a gente acabava se encontrando.

Com 2,5 horas de caminhada (entre subida e caminhada pelas Gerais) chegamos no Mirantão. Onde a gente ve o Paty pela primeira vez. Meio encoberto mas impressiona sempre. Dali descemos a RAMPA. Um paredão quase vertical de uns 250 metros de desnivel. Não muito dificil mas tem que tomar cuidado etc.... A vista do Paty sempre nos rodeando e facilitando o caminhar. AS vezes passava uma cerração mais forte, quase garoinha, mas no geral seco e abrindo um solzinho de quando em vez.

Lá embaixo, tomamos rumo esquerdo num certo ponto (deixando as mochilas escondidas no mato) pra ir ver a cachoeira dos Funis. Não achei especialmente interessante, mas o local é muito legal, meio em curva e realmente um funil. Mais um pouco chegamos na casa do Sr Wilson. Duas construçoes, varios quartos, cama e lençol limpinho. Banheiros tranquilos, agua fria (isto pode ser um problema pros mais friorentos.. especialmente porque a temperatura ambiente não estava muito quente).

O melhor veio depois - a jantar. Tanta coisa boa. CArne assada, cortado de mamão, cortado de palma, godó de banana verde, feijão, saladinha deliciosa. Tudo muito bem temperado. Uma delicia. Tinha até suco e um doce de banana maravilhoso pra terminar a refeição.

A luz vem apenas de celulas solares e portanto nao tem muito nem dura muito. Mas serve para se virar.

Fui dormir cedo, pois o cansaço batia. Céu estrelado bonito.

Dia seguinte amanheceu fechado mas foi abrindo e acabou terminando o dia como o mais bonito destes 5 de caminhada.

Subimos de volta pras Gerais do Rio Preto (caminho mais tranquilo, usado pelos burros e mulas) rumo ao Cachoeirão por cima. Subimos de novo uns 300 metros até o topo, dali caminhada pelo campo. Numas 3 horas chegamos no Cachoeirão. Que vista. Um canyon de uns 200 metros de profundidade, cercado dos lados, indo até o vale do Paty e no fundo a pedra que marca a ladeira do Imperio. Muito legal.

Muitos jardins de pedra, com bromelias e flores de todo o tipo. Lanchamos por ali e voltamos. No caminho visitamos a toca do Gavião, local tradicional de pouso, tambem cruzamos com uma cobra coral, cada um foi pro seu lado tranquilamente.

Sempre encontrando algumas pessoas, não muitas, mas tudo gente legal, animada com a caminhada etc.

Na volta pegamos o por do sol num mirante perto do desvio pra cachoeira dos funis. Tava muito lega. Encontramos trio de São Paulo (dois guris e uma moça) - gente muito legal. Acho que a empatia foi imediata de parte a parte.

A noite a otima janta. Aliás nao mencionei antes mas o café da manhã tambem muito bom.


TERCEIRO DIA


Amanheceu nublado novamente mas foi abrindo e fomos subir o morro do CAstelo. Dá uns 400 metros de desnivel, TRechos bem verticais, mas tranquilo. Tambem a gente sempre encontra agua pra beber. Arapongas dando suas marteladas, passaros de todo o tipo. Lá no alto tem uma gruta grande (deve ter uns 10 a 15 metros de altura e uns 150 a 200 metros de comprimento). Lá dentro cristais pelo chão e uma fonte de agua bem bonita. Do outro lado subimos em dois mirantes. Um mais alto virado pro Norte (gerais do Vieira, morro do Gaucho, Moitinha, Esbarrancado etc..) depois fomos no outro, dai com vista pro VAle do Paty - até a rampa do Caim). Tava chegando uma chuvinha mais forte mas assim mesmmo deu pra ver alguma coisa.

Fizemos lanche lá em cima. Aliás Rogerio sempre providenciava lanches muito gostosos - alguma fruta, sanduiche, chocolate mais algum doce, suco etc...

Voltamos tranquilo, chegamos cedo, pegamos as mochilas e seguimos pra Prefeitura ou casa de Jailson. Caminhada tranquila. Casas de outros moradores. Algumas abandonadas, muros de pedra, trechos calçados, vistas do Rio e dos morros em volta etc... Especialmente o morro do Castelo que ia mudando de cara - ficando cada vez com mais cara de castelo...

No Jailson estava grupo de 12 estudantes americanos, mais Flavia, Julio e Luis. Foi uma otima parada. Violão, o filho de Jailson (Jasson acho eu) - super esperto, bom na musica, bom no futebol, sempre animado. A mulher de Jailson (Maria, que nem a do Sr Wilson) tambem cozinhando muito bem e preocupada em nos deixar felizes.

Quartos tranquilos, bom banho. A vista do Castelo, Altemar (irmão de Jailson) mais Rogerio mais a coordenadora do grupo de estudantes (menina de Curiitiba, fluente no Ingles) tocaram violão etc. Foi um fim de dia muito bom.

A chuva aumentando e nós já discutindo o que iriamos fazer no dia seguinte....

QUARTO DIA

Amanheceu chovendo e praticamente choveu todo o dia e inicio da noite. Julio e Luis partiram na frente pra visitar o Cachoeirão por baixo. Flavia ficou conosco e resolvemos dar um tempo e abrir mão desta visita. Complicado, muita pedra, escorregadio etc... Achamos um risco excessivo com pouco retorno. Julio foi e gostou.

Ali pelas 11 horas saimos, com chuvas passando e indo. Visitamos um poço que tem uma toca junto. Depois a famosa ponte (construida faz muito tempo pela prefeitura de Andarai) e que permite que mulas atravessem o Rio Paty tranquilamente, a confluencia do rio Paty com o Cachoeirão (um pouco acima o rio Calixto já havia se juntado com o Paty), algumas casas, outra escola abandonada. Existem 3 construções de uso publico no vale, todas mantidas pelo pessoal, mas não sendo usadas para o uso inicial. Esta escola mais uma perto do sr Wilson e a tal Prefeitura que funcionou como ponto de apoio. Como o vale é parte do municipio de Palmeiras e parte de Andarai, ambos os municipios fizeram melhorias por ali. Mas isto foi faz um bom tempo. Hoje está ao Deus dará. Fora isto, o IBAMA e Inst Chico Mendes de certa forma pressionam para que os moradores tenham o minimo de liberdade dentro do parque, com o intuito de justamente preservar o parque.

A constante batalha entre quem vê o homem antagonico a natureza versus quem vê o homem como parte da natureza. Com o tempo a gente acha o equilibrio. Eu particularmente acredito que os moradores tradicionais de lá, deveriam por ali permanecer, mantendo a cultura local, ajudando a cuidar do parque, orientando os turistas etc...

Bom, continuando após a ponte mais uma caminhada, por um trecho já junto ao Rio Cachoeirão e chegamos no seu Eduardo. NO momento ele está em tratamento em Palmeiras, deve voltar logo. 86 anos, muito amigo do Arakem de Alcantara. Alias tem uma foto do seu Eduardo tirada pelo Arakem, na sala da casa (e tambem no livro sobre a chapada diamantina, do Arakem) que é de babar.

No momento quem cuida da casa são as duas netas. Moças muito legais, inteligentes, de bom humor, boas de conversa. Fizeram nossa janta e café da manhã bem reforçado. Dormi no quarto dos solteiros, uns 3 metros acima da casa principal. A vista da varanda, pras montanhas - de babar.

Durante a noite parou de chover e no dia seguinte saimos cedo e com neblina. Tivemos que atravessar o rio Paty (perto da junção com o rio Cachoeirão) e não foi facil. MOlhamos a roupa, mas conseguimos todos chegar do outro lado na boa.

Logo em seguida começa a ladeira do IMperio. Construida no sec 19, vai subindo lentamente. Acho que até uma carrocinha leve sobe por ali. Alguns trechos mais inclinados, mas no geral uma subida razoável. Em duas horas subimos 440 metros até o topo. Foi muito legal pois a vista do vale ia mudando e a gente ia enxergando coisas diferentes fora a mudança de iluminação. Muita gente só visita a parte mais alta do vale do Paty, é uma pena pois este trecho tem muita coisa legal tambem.

Lá no alto vao aparecendo as flores de campos de altitude e de repente, super rapidinho a trilha chega num tope e a gente enxerga o outro lado. Campos de altitude descendo até a planicie do Rio Paraguaçu.

Cruzamos com uma tropa de burros carregada indo pro Paty. Um cachorro muito serio na frente, um rapaz no meio controlando os burros e atrás um casal na faixa de 60 anos acompanhando e ajudando no controle dos burros. Muito legal de ver.

A descida é quase monótona. São praticamente 3 horas e meia de descida. O corpo cansado. meu pé doido, o calor aumentando (a gente vai de 1050 metros pra 410 metros snm - fica abafado mesmo)

Chegamos em Andarai no quinto dia de caminhada as 14 horas e 15 minutos.

Direto pra sorveteria Apolo (famosa em toda a região) e atacar os sorvetes. Gostei mais do de mangaba e rapadura.

depois onibus pra Mucuge. Ficamos na pousada pé de serra - uma delicia. Imperdivel. Jantar no point da chapada

dia seguinte de carro fomos ao poço encantado. Muito bonito mas já meio tumultuado por causa dos turistas. Depois Igatu. Almoço no AGUA BOA (já conhecia e continua muito bom). Visitamos a galeria de arte, o bairro abandonado dos garimpeiros e a OURIVESARIA - onde Cristiano (marido da Bruna aqui de Curitiba) e o Gabriel fazem peças muito bonitas.

A noite onibus para Salvador e de lá avião de volta pra casa

UMA DAS VIAGENS QUE MAIS ME MARCARAM EM TODA A VIDA.

DICAS PRATICAS

- Salvador

acarajé a cocada que vendem no desembarque do aeroporto - do lado de fora - são excelentes.

onibus pra rodoviaria é o Sao Joaquim - Jardim das Margaridas - cada meia hora. Tranquilo

- Lençois

ALMOÇO no bode grill - tudo bom

hospedagem na Estalagem do Alcino (muito muito bom). Dizem que o Vila Serrano tambem é legal.

Tapioca na rua MIguel Calmon quase com rua das Pedras

- Palmeiras

hospedagem na Caminhos da Chapada - simples, honesta e aconchegante.

- No Paty

o melhor lugar foi no Sr Wilson (especialmente pela comida)

mas Jailson e casa do Sr Eduardo tambem muito bom


- Em Igatu

joias da Ourivesaria

comida no Agua Boa

- Mucuge

pousada pé de serra

comida no point da chapada.

quanto ao GUIA. Estivemos com varios guias que parecem muito bons (destacaria Adilson de Lençois e Luis Basilio de Mucugê) mas o nosso guia eu recomendo muito especialmente

Fez de tudo para que a coisa corresse bem em todos os sentidos e foi o que aconteceu. Alongamentos, explicações, ritmo adequado, a programação, alterar a programaçao conforme o andamento e o tempo, a comida, os pousos etc...

Dificil voltar pra lá e não procurar de novo o Rogerio Mucugê

rgmucuge@terra.com.br

fone 71 - 9181 6914





O MAPA LÁ EM CIMA DÁ UMA IDEIA GERAL DO TRAÇADO

FIZ CADA DIA DE UMA COR - ESPERO QUE AJUDE


AS FOTOS ESTÃO NO KODAK GALLERY

LINK ABAIXO


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4 comentários:

Florinda disse...

Adorei as fotos e a inspiraçao da narrativa!

Anônimo disse...

Amilcar, para mim, o prazer conciliador maior foi ter a companhia de vocês no Vale do Paty. Mais do que clientes de trilha, vocês foram amigos e podem saber que agora vocês conquistaram mais duas amizades aqui na Bahia: a minha e a de Lúcia. Grande abraço, amigo. Rogério Mucugê

Anônimo disse...

Ah... não posso esquecer dos outros amigos que fizeram aqui: além do guia de vocês e da dona da pousada em que ficaram (Lúcia - Pousada Pé de Serra), ganharam outros: Luis Basílio, Sr. Wilson, Dona Maria, Jailson e esposa, as filhas do Sr. Eduardo, cachorros da casa do Sr. Eduardo... aqui na Bahia é assim... por isso digo que vocês tem muito do baiano. Voltem para fazer as outras trilhas. Abraços. Rogério Mucugê

amilcar disse...

a questão dos amigos que "reencontramos" por ai (Vinicius de Moraes dizia que amigo a gente apenas reencontra...) - da minha parte tambem - ficam aqui as lembranças passeando pelo meio dos meus pensamentos. Volta e meia aflora algum momento especial que tivemos com todos estes nomeados e mais alguns. Que bom e que sorte a minha. voltaremos, em breve. Fortes abraços