SUL DO BRASIL E URUGUAY - mais uma vez - 98_2026 - jun jul 26
E lá vamos nós mais uma vez para o
tradicional giro sulino. Sempre no inverno, se possível. A linha geral é seguir
pelo RS até Colonia do Sacramento no Uruguai (com eventual travessia de 1 hora
para Buenos Aires – não rolou desta vez) e depois voltar
16 dias, 4200 km. Um frio seco mas de dar
umas beliscadas. Zero grau de mínima foi o normal. Fácil de encarar, desde que
com a roupa adequada....
Como queríamos subir a serra da Rocinha
(que chega a São José dos Ausentes no topo) e agora, depois de muitos e muitos
anos de obras infindas, está aberta dia e noite, dormimos em Ararangua – sul de
SC, pois estava terminando uma onda de chuvas naquela tarde.
Alias – comentário extra: Como ficou melhor
se programar para uma viagem, passeio etc sabendo mais ou menos como vai estar
o tempo. Quantos programas que foram prejudicados por um tempo totalmente ruim,
em épocas passadas.
Ararangua, cidade simpática, animada. Dia
seguinte cedo subir a Rocinha. Muito legal. Vai a uns 1200 metros de altitude,
com os paredões de toda esta serra que acompanha o litoral desde Torres RS até
quase Floripa.
Lá em cima, como ainda tem trechos da
estrada que não foram terminados, optamos por pegar uma estrada direto para
Cambara e depois Tainhas e descemos novamente para a BR 101 rumo ao pouso em
Porto Alegre. Apenas pouso mas sempre bom dar umas voltas em Porto Alegre.
Cidade agitada, transito forte, mas com muita coisa legal para ver.
Dia seguinte rumo Pelotas, com
tranquilidade. Chegamos para o almoço. Passeio a tarde pela cidade. Os doces,
sempre os doces. O croquete de carne do bar do Cruz (antigo Cruz de Malta), o
café no Aquarios. Não é grande coisa o café mas vale pelo ambiente. Tipico
daqueles lugares que a turma (95% homens... como é o costume...) da cidade se
reúne para fofocar.
Próxima etapa, que eu particularmente acho
um dos trechos mais legais, é a ida entre mar e lagoa no rumo do Chui e depois
entrar no Uruguai. Planícies sem fim, lagoas, vida selvagem abundante apesar do
frio. Região bem menos povoada. Tramite para entrar no Uruguai cada vez mais
simples e rápido. Passaporte (ou identidade) e documento do carro. 5 minutos ou
menos... Entra no Uruguai muda o esquema. Estradas em ótimo estado, a paisagem
é parecida mas parece que fica ainda mais deserto e a turma muito mais
tranquila que no Brasil. È gostoso andar por lá. Tao parecido e tão diferente.
Ate o espanhol deles tem traços ou sinais de um português rondando por perto.
A história do Uruguai, inicialmente
esquecido de todos, pois não tinha riquezas naturais evidentes, depois como um
“colchão” entre Brasil e Argentina e
finalmente sendo um pais com identidade própria e fazendo sua própria história
é bem interessante. Vale a pena dar uma olhada. Algo que aprendi desta vez foi
que como uma previa para a Guerra do Paraguai, o Brasil invadiu o lado oeste do
Uruguai (fronteira com Argentina e Uruguai) ali pelo final de 1864, junto com
rebeldes uruguaios para derrubar o governo vigente na época e o Paraguai já
estava envolvido nesta trama (o ditador do Paraguai Solano Lopez achou
inadimissivel a intervenção do Brasil e Argentina nos assuntos uruguaios – o
que parece correto – e decidiu a partir dai declarar guerra ao Brasil e
Argentina – péssima e infeliz ideia). A gente fica espantado quando descobre
mais uma ação imperialista do Brasil... o pais que só tem gente boa dizem (ou
acreditam) alguns.
Fomos dormir em Punta del Este, que sempre
está do mesmo estilo. Notamos uma acelerada urbanização rumo leste ( Jose
Ignacio e adiante), de alto padrão. Pelo jeito o pessoal cansou de Punta e está
buscando novas paisagens. Punta sempre o mesmo jeitão. Lojas finas, cassino,
aposentados pela rua, o por do sol maravilhoso etc. Algo legal aqui e em geral
por todo o Uruguai, como o pessoal se junta no final do dia para papear, tomar
uma erva mate, ver o por do sol etc... Em geral a grande maioria anda com a
garrafa térmica e a cuia (pequena) para a erva onde vão. Comum achar maquina de
agua quente (3 reais mais ou menos para encher a garrafa), especialmente postos
de gasolina e outros locais de circulação.
Dia seguinte rumo Montevideu, A cidade
cresce bastante nesta direção leste, de Punta, então bem antes de chegar a cidade
velha a gente já tem que se envolver com sinaleiros, transito local, pedestres
etc. Desta vez era sábado, foi mais tranquilo. Tava olhando no Maps – dá
praticamente uns 50 km de urbanização neste trecho todo.
Enfim, fomos direto almoçar no Mercado do Porto.
Tem gente que diz que é armadilha para turista etc... Claro é um lugar com viés
turístico total. Mas a gente ve muita gente local comendo por ali e a comida é
boa, tem varias opções, o preço é praticamente o mesmo de outros locais que a
gente vai. Então não acho que seja má ideia fazer uma refeição por lá. Comemos
mais uma vez no Palenque. Nos parece o melhor dali, mas é uma opinião bem
superficial. Mas a gente sai contente dali.
Uma refeição completa (uma entradinha,
vinho da casa, sobremesa compartida) sai por US 95 aproximadamente. Para dar
uma ideia de valores no Uruguai. Tem locais na rua que anuncia almoço (3
etapas, menu turístico digamos) por 20 dolares na rua. Parecem bons também.
Uma coisa que me atraiu em Montevideu (em
particular) e Uruguay em geral, desde a primeira vez... Ops. Perai. A primeira
vez foi em janeiro de 76, voltando de Kombi do Peru, quatro amigos e eu,
devemos ter ficado coisa de menos de 2 horas da cidade, ou seja: Não valeu...
Mas depois quanto voltei com mais calma, uma coisa que sempre me atraiu por lá
é que não tem nada muito especial para
se ver. Tudo dá para curtir. Até tomar um mate na beira do Rio (rambla)
curtindo o fim da tarde. Enfim – nestes dois dias e pouco que por lá ficamos,
caminhar pela beira do Rio, na cidade velha, visitar o mercado agrícola, andar
pelo centro e coisas assim. De novidade fomos no museu do Gaucho e da Moeda.
Onde era a agencia central do banco de la Republica. Enorme o local, mas o
conteúdo em sim, mais ou menos.
Cumprindo o trajeto de sempre, partimos
rumo oeste para Colonia. Estrada ótima e com varias obras de melhoria. Eliana
se impressiona com o padrão das estradas e como é mais seguro e tranquilo
circular por aqui. Alguns até podem estar mais rápidos, mas em fazer bobagem ou
ameaçar os outros. Como a volta será pelo lado Oeste do Uruguai já paramos –
como é usual – na panificadora Artigas em Ecilda Paullier (1 hora e meia de
Montevideu). Como é gostoso comprar e comer os quitutes dali. Seja doce ou
salgado. Sempre algum tipo de torta salgada (tipo quiche) e depois docinhos
variados. Bom demais.
Chegamos em Colonia a tempo para o almoço.
Aqui então que fazer o mesmo mais uma vez torna-se mais gostoso ainda. Andar
pelas ruas, virar aqui e ali, beira do rio, por do sol, muita folha seca pelo
chão. Frio continua presente. Na rua principal (Gal Flores) tem dois
mercadinhos, muito bons de comprar coisas para um lanche mais rápido. Entre Ituzaingó e a praça Central.
Legal ver lugares que a gente gosta e
continuam funcionando. Algumas novidades que vão aparecendo. Interessante que
por algum motivo, desta fez estava mais notável a “invasão” de turistas que
chegam pelos buquebus e similares. Como a cidade é pequena. Uma meia hora, 1
hora depois de ver o barco chegando a gente começa a ver grupos de pessoas
vindo do lado do porto. Fim de tarde, some todo mundo.
Para mudar um pouco o intinerario,
resolvemos voltar tomando rumo Norte e depois leste, ou seja, contornar o
Uruguai longe do litoral. Saimos cedo e fomos indo tranquilos rumo norte. As
estradas já são mais simples, mas nada problemático. Geada forte nos campos.
Cidadezinhas vão passando. Paramos em uma (Ombues de Lavalle) para comer alguma coisa numa panaderia. Uma
delicia. E continuamos. Região bem desértica. Gado (bovino e ovino) bastante,
pessoal na lida do campo, veículos de trabalho em geral. Até que atravessamos a
represa sobre o rio Negro. Este Rio Negro, um dos únicos mais encorpados dentro
do Uruguai, passa por uma serie de represas, para gerar alguma energia
elétrica. Muito reflorestamento de eucalipto ao longo de toda a estrada.
Pegamos uns 40 km de terra, muito bem mantidos e sinalizados.
Almoçamos em Young e no inicio da tarde
chegamos a Paysandu. Aqui ficamos num apartamento muito gostoso e super bem
localizado. Bobeada não ter deixado para comer em Paysandu. Almoço em Young foi
ruim. Por sorte não muito caro. Mas não vale a pena. Simples assim.
A cidade nos cativou já nos primeiros
instantes. Fomos até a beira do rio Uruguai ver o por do sol, muita gente lá
curtindo seu mate, papeando, andando, curtindo o local. Fica afastado do centro
e é um grande parque beirando todo o rio. Um pouco mais ao norte tem uma super
ponte ligando com a Argentina. Fomos até lá também.
Tínhamos plano de ir numa cervejaria bem
falada, mas o frio desanima estes tipos de programa tropicais.
Passeio pelo centro, ir até a ponte
Internacional, visitar a estação de trem que uma parte está abandonada (mas
cuidada) e outra está em uso. Não sei bem como. Aliás – interessante ver como
Uruguai tinha já uma estrutura ferroviária bem razoável na virada do sec 19
para 20.
A praça central e a catedral especialmente
interessantes. Ali a gente descobre que o Brasil (com ajuda pequena da
Argentina) cercou e meio que matou de fome toda a população de Paysandu ali por
1864. Aliás, a gente meio que se choca quando ve o Brasil neste papel
imperialista. Tipo – quem manda sou eu. Mas é do jogo entre as nações. Para mim
a grande questão é o que fazemos para não repetir bobagens como esta.
Mas o ponto alto mesmo é uma confeitaria no
calçadão que serve a tal Chaja. È um meio bolo, meio torta, para uma pessoa ou duas, uma mistura de um
biscoito leve (tipo um suspiro) com nata e pêssego em calda bem fatiado. Que
coisa maravilhosa. Fomos de manhã e voltamos a tarde. Delicia demais.
Dia seguinte acordamos cedo e pelas 6 da
matina saímos. Super frio, super escuro (sol nasce quase 8 da manhã por aqui).
Tomamos o rumo leste, de volta para casa. A medida que clareava o dia de sol e
céu azul total, a geada ia se formando. Foi um trecho especialmente bonito este
que percorremos nas primeiras horas da manhã. Paisagem mudava um pouco, até um
trecho com morrotes apareceu.
Interessante como a fisionomia geral do
Uruguai é muito parecida mas sempre com surpresas ou nuanças que vão nos chamando
a atenção. Maior parte ou é bem plana ou leve muito levemente ondulada. Isto é
praticamente o tempo todo.
Entramos em Tacuarembo para um lanche, onde
existe a possibilidade de Carlos Gardel tenha nascido. A outra versão corrente
seria na França. Vai saber. Mas na chegada da cidade tem um museu do Carlos
Gardel. Cidade simpática, grande. Perto do Brasil, 120 km de Santana do
Livramento. E continuamos no nosso rumo leste, passando por Melo.
Logo em seguida tem uma atração quase junto
a estrada, chamada Posta do Chui. Uma ponte para as carroças que vinham de
Jaguarão rumo ao centro do Uruguai. Diz ali que é o primeiro ponto de pedágio
na America (do Sul?), acho algo complicado de confirmar. Mas enfim- um pessoal
construiu a ponte, hotel, restaurante, estabulo etc... Ponto de passagem..
Lugar legal. Tem acesso pelos dois lados. Se entrar pelo lado de Melo, deixa o
carro do outro lado da ponte, atravessa a mesma e está na posta. Visita rápida
mas acho que vale a pena dar uma olhada na construção etc.
Finalmente chegamos a Rio Branco e logo
depois da famosa ponte ferroviária, estamos em Jaguarao.
Dia seguinte rumo Porto Alegre, com alguns
docinhos em Pelotas e fomos direto para Gramado. Ficamos duas noites em
Gramado. Mas chuva e frio bem chatinhos. Eliana conhecia só de passagem. Foi
bom para ter uma ideia melhor.
Tem muita atração. Seja no quesito compras,
restaurantes como atrações para crianças. Para quem gosta dá para se divertir
alguns dias ali. Tudo bem organizado, ajeitado.
Finalmente ultimo dia de viagem, direto até
Curitiba. Viemos pela 116. Complicado, pista simples, muito movimento, pessoal
fazendo manobras arriscadas. Enfim não foi muito legal. Mas chegamos bem.
DICAS
a)
Ararangua – buffet noturno de
sopas junto da sorveteria Lambe e Gela.
b)
Tainhas – café Tainhas
c)
Porto Alegre
Atelier das
massas e café do mercado e ...
Novidade –
pâtisserie Marcelo Gonçalves (perto do Moinho de Ventos – que lugar legal.
Fecha 19 horas, mais pro almoço. Mas vale a pena.
d)
Pelotas
Doces Berola
Bar do Cruz (e seu famoso croquete de carne, mas tem
outras opções ótimas, especialmente os assados na churrasqueira uruguaia)
e)
Chui
Restaurante em cima do mercado Makro (junto ao posto na
chegada de Pelotas). Simples, mas os pratos ficam num armário quente e tem uma
sopa de capeleti deliciosa de entrada. Precisa falar mais?
f)
Punta
Confeitaria las Delices – o mil folhas. Sempre bom
Hotel Atlantico na 2 Febrero. Muito agradável.
g)
Montevideu
Churrasco no Palenque (Mercado
del Puerto) e no La Otra (calle Tomas Diago)
Delicatessen na cidade velha – Tienda Dona Isabel (junto
a praça Zaballa)
Café e lanche rápido no Federacion – calle Perez
Castelano na cidade velha também
A gente sempre vai de novo no café Facal na 18 Julio.
Super tradicional. Mais pelo ambiente, a fonte dos cadeados em frente, a
estatua do Gardel ao lado etc
h)
Ecilda Paullier – panaderia
Artigas
i)
Colonia
del Sacramento – Parrila el Porton.
j)
Melo – la casa de la empanada
na Agustin de la Rosa – a massa é quase folhada. Maravilhosa.
k)
Jaguarao – o restaurante Batuva
(não aceita cartão....ehehehe – vira quase folclore isto)
l)
Gramado –
Hotel Britanico – um dos melhores hotéis que já ficamos
na vida. Bom demais. Imperdivel.
m)
Vacaria – o espaço RAR - logo no final da cidade (rumo Norte) –
lugar de comprar umas comidinhas – mas varias opções gostosa.
Lages
Na verdade uns 25 km antes (Capão Alto) a churrascaria
Queijo e Cia. Bem boa. Como tem pouca opção neste trecho da estrada, talvez
seja uma boa considerar esta opção.
E abaixo seguem algumas fotos. Talvez muitas... enfim....

Montevideu... com lua
a livraria Escaramuza - um dos nossos locais prediletos
fonte na Plaza Independencia
charlando com Carlos Gardel
Fim de tarde em Colonia
Acima - no circulo - predios mais altos de Buenos Aires (conseguem ver?) fica um pouco adiante do Malba lá na capital portenha. região de Palermo, Aeroparque etc
Colonia, assim como Punta - é uma ponta de rocha que se projeta e destaca no estuario do Prata - esta foto mostra o detalhe do substrato de rocha embaixo de Colonia
Torre de la Defensa - 27 andares - residencial. Realmente uma coisa diferente.... Parece que edifico mais alto do Uruguai - fora Montevideu
a famosa ponte Rio Branco (UY) com Jaguarão (BR)
jantarzinho delicioso no Batuva - despedida da carne uruguaia - não tem nada que seja igual ou melhor...
Montevideu
museu do Gaucho em Montevideu
estrada de terra mas bem cuidada
rio Uruguai em Paysandu
cemiterio muito caprichado em Paysandu
a ponte Argentina - Uruguai - em Paysandu

























































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